quarta-feira, 8 de junho de 2011

Turismo em busca da sustentabilidade

Programa Berimbau surgiu da preocupação social dos empresários da Costa do Sauípe
O berimbau é formado por um pedaço de madeira flexível, tencionado por um fio de arame bem esticado; uma cabaça cortada no fundo e raspada por dentro para ficar oca; um chocalho artesanal; uma vareta; e uma moeda. O instrumento, que faz a trilha sonora da capoeira e que é a cara da Bahia, e inspira, na Costa do Sauípe, região localizada a 71 quilômetros de Salvador, um programa que busca promover desenvolvimento regional sustentável e criar melhores condições de vida para a população do entorno.

Conforme Beraldo Aventura, gerente de responsabilidade socioambiental e relações com a comunidade da Sauípe S.A., o Programa nasceu da preocupação social dos empreendedores de Costa do Sauípe com as comunidades vizinhas ao Complexo Turístico, com reforço na geração de trabalho e renda e valorização da cultura local por meio de quatro cooperativas que atuam nas áreas de artesanato, pesca, agricultura familiar e reciclagem de lixo. Criado em parceria com as entidades comunitárias do entorno, ele tem contado com apoio decisivo da Fundação Banco do Brasil e de outros parceiros.

"O que está acontecendo aqui prova que quando há apoio, investimento social responsável, é possível as pessoas conseguirem fazer transformação social", destaca o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena.

Por todo o litoral brasileiro - no Nordeste, em particular isso se acentua - pipocam empreendimentos turísticos luxuosos prometendo desenvolvimento local e geração de renda, mas que, na maioria das situações, causam danos irreparáveis às populações litorâneas tradicionais, com paisagens irremediavelmente alteradas e a quase totalidade dos moradores apartada do dito desenvolvimento.

Com o apoio da Fundação Banco do Brasil, o empreendimento turístico Costa do Sauípe vem chamando a atenção pelo investimento em tecnologia sociais que visam minimizar os impactos do empreendimento em relação à população residente no litoral do município de Mata de São João.

Por definição, tecnologias sociais são produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas em interação com a comunidade e que representam soluções efetivas de transformação social. A Fundação Banco do Brasil certifica, a cada dois anos, por meio de premiação, tecnologias sociais que passam a fazer parte de um banco que atualmente reúne mais de 571 experiências.

Nos últimos dois dias, mais de uma centena de jornalistas do Nordeste esteve lá, a convite da Fundação, para participar do III Encontro de Jornalistas do Nordeste, discutir tecnologias sociais, mudanças climáticas e conhecer duas vertentes do Programa Berimbau ligadas à reciclagem de lixo e à agricultura familiar.

Lixo lucrativo
A primeira delas foi a Verdecoop, da qual Cláudio Lima é o gerente administrativo. Ele admite que o maior desafio é lidar com as limitações dos 55 cooperados, que precisam de muita orientação para compreender o negócio como deles e evitar desperdícios para obter lucros. A cooperativa lida com todo tipo de resíduo oriundo dos empreendimentos turísticos e condomínios da região, inclusive o lixo orgânico, utilizado para a fabricação de composto; e óleo de cozinha, que comercializado com uma indústria de sabão. Sem passar por atravessadores, o material reciclável resulta num lucro ainda maior para os cooperados.

De acordo com o responsável pela Verdecoop, Tiago Vilaronga, os cooperados estão se preparando para uma visita, no fim de julho, de uma certificadora que vai levantar os dados para que eles ingressem no mercado voluntário de carbono, para isso, houve um reforço de investimento dos parceiros na estrutura da cooperativa.

Agricultura sustentável
Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) é uma Tecnologia Social desenvolvida especificamente para melhorar a qualidade da produção da Agricultura Familiar. Agroecológica porque dispensa o uso de agrotóxicos, queimada e desmatamento; integrada porque alia a criação de animais com a produção vegetal utilizando insumos da propriedade; sustentável porque preserva a qualidade do solo e das fontes de água, incentiva o associativismo dos produtores a aponta canais de comercialização, conta com o apoio não apenas da Fundação Banco do Brasil, mas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) na orientação dos produtores cooperados.

Consultor do Sebrae, Nivaldo Dias de Amoriam explica que, entre os projetos implantados e em implantação, são 104 unidades Pais em três municípios litorâneos: Mata de São João, Itanagra e Entre Rios. Cada unidade beneficia quatro famílias. Ele informa que a produção da Coopevales, que tem aproximadamente 200 cooperados se destina à rede hoteleira e o excedente é comercializado em feiras.

Fique por dentro
Ações do Berimbau

O Centro Artesanal disponibiliza, na Vila Nova da Praia, na Costa do Sauípe, a Loja do Artesanato para a comercialização dos produtos das artesãs locais.

Para apoiar os agricultores, foi construído galpão com câmara fria e espaços administrativos, para servir de entreposto comercial para a Coopevales, cooperativa de agricultores, que recebeu caminhão-baú e trator. Atualmente estão sendo implantadas, através de financiamento da Fundação Banco do Brasil, 24 Unidades Familiares de Produção Agrícola Autosustentadas (UFPAs), um sistema de hortas integradas, com racionalização do consumo de energia, água, espaço e produtividade no uso da terra.

A Verdecoop, formada por pessoas das comunidades do entorno, opera a coleta do lixo de Costa do Sauípe, selecionando e comercializando o material reciclável do lixo seco e transformando em adubo o lixo orgânico do Complexo Turístico.

A COPEMAR-LN, cooperativa dos pescadores locais, tem treinamento e apoio logístico.

O Projeto Meninos do Porto dá sustentação a uma escola infantil para 100 crianças.

Construiu, com parceiros, a Escola de Produção, que atua na formação profissional da juventude.

Realizou Diagnóstico Ambiental Participativo.

Comunidades de pescadores e rendeiras do litoral cearense organizam-se para fazer do turismo uma atividade complementar, geradora de benefícios

Eduardo Geraque Francisco José do Nascimento, mais conhecido como Dragão do Mar, não está mais pessoalmente manejando sua jangada, na praia de Canoa Quebrada, no litoral cearense. Na verdade, esse líder da comunidade dos pescadores viveu na segunda metade do século 19, quando o fim da escravidão ainda não era uma realidade absoluta no Brasil. O estado do Ceará, dizem os historiadores, antecipou a liberação dos negros quatro anos antes do resto do país. E contribuíram muito para esse fato também as greves de barqueiros lideradas por Dragão.

O que pode ser uma história já distante, pelo menos em termos da existência de um espírito de resistência no ar, continua mais atual do que nunca. Algumas comunidades de pescadores e de rendeiras do litoral cearense – aquele que, ao contrário de quase todo o resto do Brasil, corre de leste para oeste, ou do sol nascente para o poente – se organizaram nos últimos anos para construir algo que está sendo chamado de turismo comunitário ou cooperativo. “São os próprios moradores, sem a participação de nenhum tipo de empresa, que administram as pousadas, os restaurantes e as barracas de praia. É tudo feito a partir de uma cooperativa”, explica Lindomar Fernandes de Lima, presidente da cooperativa, pescador e artesão da Prainha do Canto Verde, localizada a 120 quilômetros da capital, Fortaleza, no sentido leste.

A resistência que tenta ser feita no Canto Verde não é apenas contra os grandes investidores da indústria do turismo, que no caso do Nordeste brasileiro estão vindo principalmente da Península Ibérica. “Nós temos um problema agrário também”, explica Lima. Na versão da comunidade, o pescador Raimundo Canto Verde teria chegado àquelas terras à beira-mar na década de 1850. Em 1858 existem registros de que uma pequena escola foi criada na região. O sobrenome do pescador é que acabou dando nome ao lugar. E, hoje, a maioria dos moradores acredita ser descendente de Canto Verde. “Mas nos anos 1970 as terras da comunidade foram griladas. O objetivo era fazer um grande loteamento na região”, explica o presidente da cooperativa dos pescadores. Passados mais de 30 anos, os dois lados ainda brigam na Justiça. O processo está no Supremo Tribunal Federal e deve ser decidido, ainda, até o fim do ano. “A decisão deverá ser a nosso favor”, acredita Lima.

Enquanto o papel que dá posse definitiva à terra não vem, uma das formas de conseguir manter o sustento da comunidade acabou sendo o turismo. A Prainha do Canto Verde tem hoje 78 leitos. “Em 2004, fechamos o ano com uma renda de R$ 128 mil”, revela o artesão. “Faço peças com palha de coqueiro e com todos os outros subsídios do coco”, explica. Enquanto as próprias famílias que lidam direto com o turista ficam com a renda gerada pelas pousadas e restaurantes, o restante é distribuído pela comunidade. “Parte desses recursos é investida, por exemplo, na escola”, diz o pescador.

No Canto Verde, além de viver o dia-a-dia da comunidade, o visitante pode observar as manifestações culturais locais, navegar nas jangadas para observar a pesca da lagosta, a principal atividade do local, fazer trilhas ecológicas ou ainda visitar as lagoas da região. “As mulheres são todas rendeiras, mas essa atividade está muito complicada no momento”, diz Lima, iniciando um outro assunto.

Viver como rendeira autêntica nem sempre é fácil para as mulheres dos pescadores. Esse fenômeno não é exclusivo do Canto Verde. Por causa da grande industrialização desse tipo de artesanato – e da sempre complicada missão, aos olhos de um leigo, de separar produtos de qualidade daqueles que não são –, as rendas feitas realmente à mão, durante meses, no caso de uma grande toalha, por exemplo, acabam saindo muito caras. O destino único desse tipo de artesanato, considerado o mais importante do estado por muitos, é a exportação. “A produção aqui na Prainha da renda labirinto é muito pequena. Não vale a pena vender aqui mesmo. As nossas rendeiras conseguem fazer, no máximo, de 15 a 20 peças por ano. São feitas principalmente toalhas e camisas. Algumas peças demoram até seis meses para ficar prontas. E todos esses produtos são vendidos hoje na Itália. Temos muitas encomendas de lá”, informa Lima.

Se a renda das rendas e do próprio turismo ainda sustenta as comunidades do litoral leste do Ceará, a pesca propriamente dita, principalmente a da lagosta, é motivo de preocupação. E, mais uma vez, parte das causas desse problema é externa, e quase todas elas têm menos a ver com a natureza e mais com a interferência humana no sistema. “Aqui na Prainha a pesca é feita apenas com barcos à vela, o que já é um sofrimento. Nos últimos cinco anos a produção tem caído bastante por causa da pesca predatória e dos grandes barcos que vêm do Rio Grande do Norte e aqui mesmo do Ceará”, explica Lima, também experiente pescador. Se antes, durante a pesca da lagosta que começa em março, a produção começava em alta e depois diminuía, mas de certa forma continuava existindo até o fim do período anterior ao defeso, que vai de 1o de janeiro a 31 de abril, hoje a constatação feita pelos pescadores do Canto Verde mostra que a situação é bem diferente. Segundo o presidente da cooperativa da Prainha do Canto Verde, “a produção agora, praticamente, se restringe ao mês de março. Além de muitos barcos pescarem também dentro do período proibido, eles, durante o ano todo, estão pescando as lagostas muito miúdas.”

O quadro revelado quando o barco volta para casa, também em relação aos peixes, não é muito diferente, segundo Lima, da realidade da lagosta. Naquela parte do litoral do Brasil é freqüente a pesca de espécies com bom valor econômico, como cavala, serra, garoupa, cioba e pargo. Mas a produção no alto-mar já foi melhor. “Mesmo com tudo isso, a pesca ainda é a nossa principal fonte de renda. O turismo, espero, nunca vai chegar a ser. Muitas vezes essa é uma onda que vem e passa”, afirma Lima. Os quase 900 visitantes, muitos deles estrangeiros, que desde o ano 2000 passam todos os anos pelo Canto Verde, ainda não foram suficientes para criar ilusão na mente dos caiçaras. “Claro que, se nós conseguirmos manter nossa cultura e fazer um turismo sólido, isso pode ser algo mais duradouro. Mas essa atividade será sempre auxiliar e não a principal”, avisa Lima, “do alto” de seus 30 anos.

“A idéia é basicamente essa. Ajudar os pescadores, já organizados em comunidades, e por meio de um planejamento estratégico, a obter fontes de renda complementares, mas não alternativas”, explica Jefferson Souza da Silva, técnico do Instituto Terramar, uma organização não-governamental com sede em Fortaleza, que dá apoio logístico aos pescadores. “Eles têm a pesca, a agricultura. É importante que essas duas atividades sejam também cada vez mais fortes e saudáveis.”

De acordo com Lima, no Canto Verde tudo é feito exclusivamente pela própria comunidade. A cooperativa, hoje com 67 pessoas, costuma todos os anos fazer doações não apenas para a escola local, que hoje tem até uma brinquedoteca, mas também para outras instituições. “São doações que variam de R$ 4 mil a R$ 5 mil em um ano, por exemplo”, conta Silva. “Eles até já compraram um carro para a própria cooperativa.”

A premiada experiência da Prainha do Canto Verde, e até o reconhecimento internacional que a cooperativa cearense tem, começam a ser uma referência na região. Os pescadores estão se tornando até uma espécie de consultores locais para outras praias que estão passando pelo mesmo problema. Ou seja, que precisam obter fontes de renda complementares para que o direito à subsistência e à terra sejam mantidos da melhor forma possível. É por isso que tanto o Instituto Terramar como a própria cooperativa têm orgulho de dizer o nome de algumas outras regiões onde a experiência também está sendo tentada. Em alguns casos, além do próprio turismo baseado no binômio pesca-renda, novas atividades, como uma fábrica de tijolo ecológico, estão sendo fomentadas pelos técnicos.

“Já estamos ajudando o pessoal da região de Camocim, na Praia de Tatajuba (localizada 36 km a oeste da famosa Jericoacoara), e de Ponta Grossa, no município de Capuí (praia que fica na divisa com o Rio Grande do Norte)”, explica Lima. “Em todo o litoral do Ceará estão ocorrendo esses problemas de ocupação imobiliária. Nós precisamos, de alguma forma, nos organizar”, explica o pescador. Ao que parece, o velho espírito do Dragão do Mar, em sua jangada, continua rondando o litoral cearense.

COOPERATIVA DE ITACARÉ RECEBE FINANCIAMENTO PARA BARCOS DE PESCA OCEÂNICA

Representantes da Cooperativa de Pescadores de Itacaré assinam, nesta terça-feira (27), um contrato de financiamento no valor de R$ 5,35 milhões para a construção de dois barcos para pesca oceânica. O investimento é resultado de um convênio firmado entre a Secretaria da Agricultura, por intermédio da Bahia Pesca, o Banco do Nordeste (BNB) e o Ministério da Pesca e da Aquicultura, que viabilizou a compra das embarcações e a capacitação dos pescadores. O evento acontece no município de Itacaré, às 11h, na Pousada Sítio Paraíso.
Na última sexta-feira (24), outro financiamento, com o mesmo valor, foi assinado em Salvador e assegurou a construção de mais dois barcos similares, que serão entregues à Cooperativa de Pescadores de Camaçari. “A pesca na Bahia é feita de forma artesanal. Não temos nenhum barco para pesca oceânica. Então, agora os pescadores artesanais poderão explorar outras águas, dar um salto de qualidade e incrementar suas rendas”, explica o presidente da Bahia Pesca, Isaac Albagli. Cerca de 50 pescadores das duas cooperativas serão capacitados pela empresa.
O treinamento dos profissionais tem carga horária de 400 horas e irá capacitá-los na utilização de equipamentos de navegação como GPS, ecossonda, rádio VHF e SSB, cartas náuticas, bússola e rádiogoniômetro. “Os pescadores aprenderão também a manejar, conservar, estocar e refrigerar o pescado a bordo e no desembarque, e terão noções de análise de riscos e controle dos pontos críticos”, afirma Albagli.

Secretário de Agricultura e Pesca visita Cooperativa de Mulheres Pescadoras em Governador Celso Ramos – SC


O Secretário de Agricultura e Pesca, Marcon Machado, acompanhado de várias representantes da Associação de Mulheres Pescadoras do Bairro Iperoba, além de técnicos da Epagri de São Francisco do Sul e Joinville, foi conhecer a Cooperativa de Produtores de Governador Celso Ramos (COLIMAR) e sua unidade de beneficiamento, no dia 10 de março.
Os visitantes foram recebidos pela direção da cooperativa e por representante da Epagri, e conheceram a história da entidade, que há sete anos trabalha em busca de reconhecimento e oportunidades. Das 26 mulheres que iniciaram o processo, restam apenas três, além de novos integrantes mais adequados à realidade atual. Muitas viagens, cursos, parcerias e um sonho em comum: levar os seus produtos ao mercado nacional, com a certeza de estarem trabalhando em algo que sabem fazer bem.
“As pescadoras de São Francisco do Sul fizeram muitas perguntas, e a lição mais importante foi a de que quando representadas por uma entidade como uma cooperativa e com vontade, podem chegar ao mercado nacional”, ressalta Machado fazendo alusão à COLIMAR que hoje tem em sua carteira de clientes a Rede Carrefour oferecendo mais de 11 produtos desenvolvidos para um mercado exigente. Além disso, foram destacados os resultados da COLIMAR referentes às parcerias e projetos, como é o caso dos investimentos. Do Ministério da Pesca e Aquicultura vieram mais de R$ 240.000,00 em equipamentos, o Banco do Brasil conseguiu R$ 30.000,00 para complementar, além do apoio da UFSC, Epagri, Cooperativa de Maricultores de Penha, entre outras.
Para o Prefeito Luiz Roberto de Oliveira (Zera), essas visitas possibilitam o intercâmbio de ideias e informações. “Estamos buscando sempre o melhor para o desenvolvimento de nosso município, essas parcerias são essenciais para a implementação de novas ações”, enfatiza.

 
Fonte:(via email)
Michele Fontes
Assessoria de Imprensa
Prefeitura São Francisco do Sul

MP sugere norma unificada para pesca no Lago Paranoá

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) recomendou o ordenamento da pesca no Lago Paranoá para preservar o reservatório da captura abusiva de peixes e de pescadores que atuam sem autorização. O órgão sugere a formulação de uma norma distrital definindo os limites para a pesca no espelho d?água. A medida acabaria com as brechas na legislação a partir de definições claras sobre os locais onde a pesca é permitida e indicaria quais são os materiais e espécies livres para uso e captura. Atualmente, a fiscalização da Polícia Militar é prejudicada pela falta de regras na atividade.

De acordo com a promotora KD
De acordo com a promotora Kátia Lemos, da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural (Prodema), a ausência de uma norma complementar específica para o DF dificulta o trabalho de fiscalização da Polícia Militar. ?Tudo tem que estar muito bem definido para o policial aplicar a lei. Fica um vácuo aberto no policiamento?, comentou a promotora. A Prodema realizou um estudo e identificou regras que podem ser aplicadas no caso do Lago Paranoá, mas defende a criação de uma lei própria para a região. ?Existe um desequilíbrio ecológico porque a pesca predatória vai retirar a vida do lago e isso vai reduzir a sobrevida do Paranoá?, afirmou.

A Instrução Normativa 194 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) institui regras para rios, lagos e lagoas pertencentes à Bacia do Paraná. No entanto, exclui o reservatório do Paranoá e passa a competência de ordenamento ao governo do DF. Duas leis distritais de 2002 tratam da pesca profissional, mas não detalham as restrições para os amadores.

A pesca no lago é autorizada em qualquer época do ano, mas não em todas as áreas. As proximidades da Barragem do Paranoá são proibidas, assim como lugares considerados como de recreação. Nessa categoria estão o Pontão do Lago Sul, margens de clubes e locais onde há prática de esportes aquáticos. Pescadores amadores têm liberdade para capturar peixes exóticos, só há restrição para espécies da fauna nativa. Acará, traíra, jacundá, lambari, taúba e JK, por exemplo, estão limitados a 15kg mais um exemplar.

Apenas os pescadores profissionais ? com registro em cooperativa ou com a profissão comprovada ? podem usar acessórios como tarrafa e rede. Para evitar que peixes pequenos fiquem presos, a abertura mínima da tarrafa é de 70mm, e a da rede, 80mm. Os amadores têm direito de usar vara simples ou de molinete. Eles só podem exercer o hobby com autorização do Ibama.

De acordo com o comandante do Pelotão Lacustre, tenente Cristiano Barra, a fiscalização é realizada 24 horas por dia nas margens do lago. A Companhia de Polícia Militar Ambiental utiliza embarcações para checar se há pescadores desrespeitando as regras. ?Conferimos se é amador ou profissional, verificamos os apetrechos e vemos se está tudo dentro do permitido. As pessoas continuam usando muito a tarrafa?, comentou o comandante. A média de ocorrências é de uma a duas por dia.

Molinetes: É só abrir o sol que as margens do lago se enchem de pescadores com varas e molinetes. Os três pontos mais populares entre os pescadores, segundo o comandante, são a Ponte do Bragueto, a QL 12 do Lago Sul e as proximidades da Ponte das Garças. O militar reformado Sebastião Ramalho de Oliveira, 68 anos, vai pelo menos uma vez por mês pescar perto do Bragueto. Ele pega tilápias, tucunaré e, quando dá sorte, alguma carpa. Pescador amador no lago há 40 anos, ele conta nunca ter sido abordado por fiscais e defende que haja mais controle. ?Passa gente de canoa com rede e tarrafa. Poderiam proibir isso por uns três ou quatro meses para a reprodução. O lago já foi melhor de peixe.?

Até o fim da manhã de ontem, o servidor público Carlos Pereira, 53 anos, buscava piabas para servir de isca perto da Ponte JK para começar a pescaria. Uma vez por semana, ele se diverte esperando os peixes morderem o anzol. Dependendo da sorte, ele consegue até 10kg de cará e tucunaré em um dia. Carlos já conseguiu pegar cerca de 30kg de uma só vez, o dobro do permitido atualmente para a pesca amadora. Ele acredita que o limite deveria ser de 100kg, para não prejudicar quem vive da atividade. ?Para quem pesca com vara e molinete, não precisa. Mas os tarrafeiros saem com duas, três caixas cheias, aí era bom ter um limite?, afirmou.


Como é hoje

PESCA PROFISSIONAL
- É preciso comprovar a profissão com cadastro em cooperativa de pescadores

- É permitido usar tarrafa com trama acima de 70mm e rede a partir de 80 mm. Esse tamanho possibilita que peixes menores não sejam capturados

- É proibido pescar próximo à Barragem do Paranoá e em áreas de recreação, como o
Pontão e clubes.

PESCA AMADORA
- O pescador deve ter licença do Ibama para a prática

- Pode-se usar vara e molinete. Tarrafas são proibidas

- A captura de peixes exóticos é liberada

- A pesca de peixes da fauna nativa, como acará, traíra, jacundá, lambari, taúba e JK tem limite de 15kg mais um exemplar

- É proibido pescar próximo à Barragem do Paranoá e em áreas de recreação, como o Pontão e clubes.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ministro da Aquicultura e Pesca destaca crescimento do setor em aula inaugural na Veterinária-UFMG

segunda-feira, 16 de março de 2009, às 18h00

“A aquicultura e a pesca vivem momento especial no Brasil, com crescimento de 20% ao ano, e Minas Gerais tem enorme potencial nessa área. Por isso o novo curso de aquacultura na UFMG é estratégico.” O ministro da Secretaria Especial para a Aquicultura e Pesca, Altemir Gregolin, iniciou dessa forma a aula inaugural que ministrou no auditório da Escola de Veterinária, para os alunos do novo curso de Aquacultura, no início desta tarde. Ele falou com otimismo das perspectivas do setor no país e do trabalho realizado pelo governo federal.
Gregolin foi recebido pelo assessor para Área de Agroveterinária da UFMG, Roberto Baracat de Araújo, pelo diretor da Escola, Francisco Carlos Lobato, e pela coordenadora do curso de Aquacultura, Denise Aparecida Andrade de Oliveira. Este é um dos 16 novos cursos de graduação oferecidos este ano pela UFMG. Seu objetivo é aperfeiçoar a produção comercial de organismos aquáticos (peixes, moluscos, crustáceos e algas), oferecendo visão completa sobre essa produção, desde a reprodução até o processamento e a comercialização do pescado.
Gregolin, citado pelos anfitriões como um grande incentivador da nova graduação, lembrou que o curso da UFMG é apenas o terceiro no Brasil (os outros estão em Santa Catarina e no Rio Grande do Norte) e o primeiro na Região Sudeste. Segundo ele, o Brasil produz 1 milhão de toneladas de pescado ao ano, contra 48 milhões de toneladas da China. “O país apostou muito pouco nessa atividade nas últimas décadas, mas projeções da FAO (organismo da ONU para a alimentação e a agricultura) indicam que podemos movimentar 160 bilhões de dólares na cadeia produtiva em pouco tempo”, disse Gregolin.
De acordo com o ministro, as perspectivas de crescimento são maiores na aquacultura que na pesca, e é preciso que o país se torne competitivo como já conseguiu no caso da carne bovina, por exemplo. “Precisamos conquistar alta produtividade e baixo custo, o que inclui o desenvolvimento da pesquisa", afirmou Gregolin, que anunciou estudos adiantados para a criação de um núcleo da Embrapa para o setor e a iminente transformação da Secretaria de Aquicultura e Pesca em ministério.
Produção nas hidrelétricas
Altemir Gregolin ofereceu apoio ao curso e aos alunos, e destacou que eles devem encontrar ótimas oportunidades nessa área, especialmente em Minas Gerais, "que dispõe de fartura de água, especialmente em reservatórios de hidrelétricas, que serão utilizados para o incremento da produção". O ministro aproveitou para convidar a UFMG para integrar uma missão do governo federal que fará visita visita à Noruega, em agosto, visando ao intercâmbio acadêmico e comercial.
Segundo o diretor da Escola de Veterinária, Francisco Lobato, a Secretaria de Aquicultura e Pesca tem atuado de forma importante para a viabilização do Laboratório de Aquacultura da Escola, o Laqua, que deverá funcionar integralmente até 2010. A criação do curso de Aquacultura foi viabilizada com recursos do Reuni – Plano de Apoio a Programas de Expansão e Reestruturação das Universidades Federais. São 50 vagas por ano, e o bacharelado terá duração de cinco anos.

Fotos da visita!

                                          Pessoas descascando camarões ao lado do porto
                                          Pessoas descascando camarões na garagem de casa.
                                          Porto-de onde saem parte dos barcos de pesca
                                          De preto, Sr. Neves- Dono de uma das "peixarias"